No Olho do Furacão
  BOAS FESTAS !!!

“...

Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz
Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem!

...” (Mensagem, Fernando Pessoa)

Nesse momento de final de ano, que possas encontrar a serenidade suficiente para refletir, reagrupar forças e atingir metas traçadas... Que tenhamos êxitos no ano que se aproxima...

           Muita luz e sucesso

         



 Escrito por Otto às 21h45
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As Metamorfoses do Vampiro

(de Baudelaire)

 

E no entanto a mulher, com lábios de framboesa,

Coleando qual serpente ao pé da lenha acesa,

E o seio a comprimir sob o aço espartilho,

Dizia, a voz imersa em bálsamo e tomilho:

-“A boca úmida eu tenho e trago em minha ciência

De no fundo de um leito afogar a consciência.

Sou como, a quem vê sem véus a imagem nua,

As estrelas, o sol, o firmamento e a lua!

Tão douta na volúpia eu sou, queridos sábios,

Quando um homem sufoco à borda dos meus lábios

Ou quando o seio oferto ao dente que mordisca,

Ingênua ou libertina, apática ou arisca,

Que sobre tais coxins macios e envolventes

Perder-se-iam por mim os anjos impotentes!”

Quando após me sugar dos ossos a medula,

Para ela me voltei já lânguido e sem gula

À procura de um beijo, uma outra eu vi então

Em cujo ventre o pus se unia à podridão!

Os dois olhos fechei em trêmula agonia,

E ao reabri-los depois, à plena luz do dia,

A meu lado, em lugar do manequim altivo,

No qual julguei ter visto a cor do sangue vivo,

Pendiam do esqueleto uns farrapos poeirentos,

Cujo grito lembrava a voz dos cata-ventos

Ou de uma tabuleta à ponta de uma lança,

Que nas noites de inverno ao vento se balança.



 Escrito por Otto às 22h59
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  Blues da Solidão

...

O tilintar do gelo no copo,

É a sinfonia que me afaga

...



 Escrito por Otto às 22h16
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  Despedida (contra gosto, saudade sangra)

Meu coração sangra despedidas

Verde campo, vento cavalgando

Busco refúgio em alracárias

Sabor natureza, olor vida

Vejo-te em cada relva

Sinto-te pulsar em cada broto,

pedindo licença para viver...

Vida, sim, vida,

Sinopse do teu ser...



 Escrito por Otto às 01h22
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Já não há palavras,

Somente corpos em falas.



 Escrito por Otto às 20h24
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